Monday, May 07, 2007
Efeitos da Radiação
As células quando expostas à radiação sofrem ação de fenômenos físicos, químicos e biológicos. A radiação causa ionização dos átomos, que afeta moléculas, que poderão afetar células, que podem afetar tecidos, que poderão afetar órgãos, que podem afetar a todo o corpo.
No entanto, tende-se a avaliar os efeitos da radiação em termos de efeitos sobre células, quando na verdade, a radiação interage somente com os átomos presente nas células e a isto se denomina ionização. Assim, os danos biológicos começam em conseqüência das interações ionizantes com os átomos formadores das células.
O corpo humano é constituído por cerca de 5 x 1012 células, muitas das quais altamente especializadas para o desempenho de determinadas funções. Quanto maior o grau de especialização, isto é, quanto mais diferenciada for a célula, mais lentamente ela se dividirá. Uma exceção significativa a essa lei geral é dada pelos linfócitos, que, embora só se dividam em condições excepcionais, são extremamente radiossensíveis.
Um organismo complexo exposto às radiações sofre determinados efeitos somáticos, que lhe são restritos e outros, genéticos, transmissíveis às gerações posteriores. Os fenômenos físicos que intervêm são ionização e excitação dos átomos. Estes são responsáveis pelo compartilhamento da energia da radiação entre as células.
Os fenômenos químicos sucedem aos físicos e provocam rupturas de ligações entre os átomos formando radicais livres num intervalo de tempo pequeno.
Os fenômenos biológicos da radiação são uma conseqüência dos fenômenos físicos e químicos. Alteram as funções específicas das células e são responsáveis pela diminuição da atividade da substância viva, por exemplo: perda das propriedades características dos músculos.
Estas constituem as primeiras reações do organismo à ação das radiações e surgem geralmente para doses relativamente baixas.
Além destas alterações funcionais os efeitos biológicos caracterizam-se também pelas variações morfológicas. Entende-se como variações morfológicas as alterações em certas funções essenciais ou a morte imediata da célula, isto é, dano na estrutura celular. É assim que as funções metabólicas podem ser modificadas ao ponto da célula perder sua capacidade de efetuar as sínteses necessárias à sua sobrevivência.
Nem todas as células vivas têm a mesma sensibilidade à radiação. As células que tem mais atividade são mais sensíveis do que aquelas que não são, pois a divisão celular requer que o DNA seja corretamente reproduzido para que a nova célula possa sobreviver. Assim são, por exemplo as da pele, do revestimento intestinal ou dos órgãos hematopoiéticos. Uma interação direta da radiação pode resultar na morte ou mutação de tal célula, enquanto que em outra célula o efeito pode ter menor consequência.
Assim, as células vivas podem ser classificadas segundo suas taxas de reprodução, que também indicam sua relativa sensibilidade à radiação. Isto significa que diferentes sistemas celulares têm sensibilidades diferentes.
- Linfócitos (glóbulos brancos) e células que produzem sangue estão em constante reprodução e são as mais sensíveis.
- Células reprodutivas e gastrointestinais não se reproduzem tão rápido, portanto, são menos sensíveis.
- Células nervosas e musculares são as mais lentas e, portanto, as menos sensíveis.
As células têm uma incrível capacidade de reparar danos. Por isto, nem todos os efeitos da radiação são irreversíveis. Em muitos casos, as células são capazes de reparar qualquer dano e funcionarem normalmente.
Em alguns casos, no entanto, o dano é sério demais levando uma célula à morte. Em outros casos, a célula é danificada, mas ainda assim consegue se reproduzir. As células filhas terão falta de algum componente e morrerão. Finalmente, a célula pode ser afetada de tal forma que não morre e é modificada. As células modificadas se reproduzem e perpetuam a mutação, o que poderá significar o começo de um tumor maligno.
Efeitos Biológicos
A radiação nuclear não é algo que passou a existir nos últimos 150 anos. Ela faz parte de nossa vida. A luz solar é uma fonte natural radioativa. Está na areia da praia, na louça doméstica, nos alimentos, na televisão quando está ligada. Por ano, um ser humano absorve entre 110 milirem a 150 milirem de radiação de fontes diversas.
Qualquer ser humano submetido a um exame de concentração de possíveis elementos radioativos em seu corpo, obterá um resultado de concentração de potássio radioativo, que foi acumulado pelo consumo de batata. (O cigarro apresenta chumbo e polônio radioativos.)
Em uma explosão nuclear ou em certos acidentes com fontes radioativas, as pessoas expostas recebem radiações em todo o corpo, mas, as doses absorvidas podem ser diferentes em cada tecido. Cada órgão reage de uma certa forma, apresentando tolerâncias diferenciadas em termos de exposição à radiação.
Os efeitos somáticos classificam-se em imediatos e retardados com base num limite, adotado por convenção, de 60 dias. O mais importante dos efeitos imediatos das radiações após exposição do corpo inteiro a doses relativamente elevadas é a Síndrome Aguda de Radiação (SAR). O efeito retardado de maior relevância é a cancerização radioinduzida, que só aparece vários anos após a irradiação.
O quadro clínico apresentado por um irradiado em todo o corpo depende da dose de radiação absorvida. A unidade para expressar a dose da radiação absorvida pela matéria é o Gray (Gy), definido como a quantidade de radiação absorvida, correspondente a 1 Joule por quilograma de matéria.
Doses muito elevadas, da ordem de centenas de grays, provocam a morte em poucos minutos, possivelmente em decorrência da destruição de macromoléculas e de estruturas celulares indispensáveis à manutenção de processos vitais.
Doses da ordem de 100 Gy produzem falência do sistema nervoso central, de que resultam: desorientação espaço-temporal, perda de coordenação motora, distúrbios respiratórios, convulsões, estado de coma e, finalmente, morte, que ocorre algumas horas após a exposição ou, no máximo, um ou dois dias mais tarde.
Quando a dose absorvida numa exposição de corpo inteiro é de dezenas de grays, observa-se síndrome gastrointestinal, caracterizada por náuseas, vômito, perda de apetite, diarréia intensa e apatia. Em seguida surgem desidratação, perda de peso e infecções graves. A morte ocorre poucos dias mais tarde.
Doses da ordem de alguns grays acarretam a síndrome hematopoiética, decorrente da inativação das células sanguíneas (hemácias, leucócitos e plaquetas) e, principalmente, dos tecidos responsáveis pela produção dessas células (medula).
Para doses inferiores a 10 Gy, as possibilidades de uma assistência médica eficiente são maiores.
As radiações, como diversos agentes químicos, também têm efeito teratogênico, isto é, provocam alterações significativas no desenvolvimento de mamíferos irradiados quando ainda no útero materno.
Inquestionavelmente, as radiações ionizantes são um agente mutagênico, conclusão válida para espécies animais e vegetais, com base em resultados obtidos ao longo de seis décadas de experimentação.
Na espécie humana, a detecção de tais alterações é bastante difícil. Mesmo entre os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, a maior população irradiada até hoje e também a mais intensamente estudada, a ocorrência de mutações radioinduzidas não foi satisfatoriamente demonstrada.
Sensibilidade Orgânica à Radiação
Fatores: Taxa de Reprodução, Suprimento de Oxigênio
A sensibilidade dos órgãos do corpo humano está relacionada ao tipo de células que os compõem. Por exemplo, se as células formadoras do sangue são as mais sensíveis devido a sua taxa de reprodução ser rápida, os órgãos formadores do sangue são os mais sensíveis à radiação. As células musculares e nervosas são relativamente mais resistentes à radiação e, portanto, os músculos e o cérebro são menos afetados.
A taxa de reprodução das células que formam um órgão não é o único critério para determinar a sensibilidade geral. A importância relativa do órgão para o bem estar do corpo também é importante.
Um exemplo de sistema celular muito sensível é um tumor maligno. A camada externa de células se reproduz rapidamente e também tem um bom suprimento de sangue e oxigênio. As células são mais sensíveis quando estão se reproduzindo e a presença de oxigênio aumenta a sensibilidade à radiação. Células com oxigênio insuficiente tendem a ser inativas, tais como as células localizadas no interior do tumor maligno.
Quando o tumor é exposto à radiação, a camada externa de células que estão se dividindo é destruída, fazendo com que o tumor diminua de tamanho. Se o tumor receber uma alta dose para destruí-lo completamente, o paciente também poderá morrer. Assim, é aplicado uma dose baixa no tumor a cada dia, possibilitando que o tecido são tenha chance de se recuperar de qualquer dano enquanto, gradualmente, diminui o tumor altamente sensível.
O embrião em desenvolvimento também é composto de células que se dividem muito rapidamente, com bom suprimento de sangue e rico em oxigênio. Assim como a sensibilidade de um tumor, um embrião sofre consequências com a exposição que diferem dramaticamente.
Sensibilidade à Radiação do Corpo Inteiro
A sensibilidade à radiação do corpo inteiro depende dos órgãos mais sensíveis, que por sua vez, depende das células mais sensíveis. Como já visto, os órgãos mais sensíveis são aqueles envolvidos com a formação do sangue e o sistema gastrointestinal.
Os efeitos biológicos no corpo inteiro dependerão de vários fatores, listados abaixo. Se uma pessoa já é suscetível a uma infecção e receber uma alta dose de radiação pode ser mais afetado por ela do que uma pessoa saudável.
São estes os fatores: dose total, tipo de célula, tipo de radiação, idade do indivíduo, estágio da divisão celular, parte do corpo exposto, estado geral da saúde, volume de tecido exposto e intervalo de tempo em que a dose é recebida.
Níveis de Exposição
Os efeitos biológicos da radiação são divididos em duas categorias. A primeira categoria consiste de exposição à altas doses de radiação em breve intervalos de tempo, produzindo efeitos agudos de curta duração. A segunda categoria é formada pela exposição à baixas doses de radiação num período de tempo mais extenso, produzindo efeitos crônicos ou de longa duração. As altas doses tendem a matar as células, enquanto as baixas doses tendem a danificar ou modificá-las. As altas doses podem matar muitas células, danificando tecidos e órgãos. Isto pode provocar uma resposta rápida do corpo, conhecida como Síndrome de Radiação Aguda. As baixas doses recebidas num longo período não causam um problema imediato. Os efeitos de baixas doses ocorrem no nível celular e os resultados podem ser observados depois de muitos anos passados.
Efeitos de Altas Doses
Toda exposição aguda não resulta em morte. Se um grupo de pessoas é exposto a doses de radiação, os efeitos acima podem ser observados. A informação desta tabela foi retirada da NCRP Report No. 89, "Guidance on Radiation Received in Space Activities," 1989. Na tabela, os valores de dose são o limiar para início do efeito observado em pessoas mais sensíveis à exposição.
| Efeitos de Altas Doses | |
| Dose (Rad) | Efeitos Observados |
| 15--25 | Mudança na contagem sanguínea do grupo |
| 50 | Mudança na contagem sanguínea de um indivíduo |
| 100 | Vômito (limiar) |
| 150 | Morte (limiar) |
| 320--360 | DL 50/30* com cuidado mínimo |
| 480--540 | DL 50/30* com cuidados médicos |
| 1.100 | DL 50/30* com cuidados médicos intensivos (transplante de medula) |
| *DL 50/30 é a dose letal em que 50% dos expostos àquela dose morrerão dentro de 30 dias. | |
Às vezes é difícil entender por que algumas pessoas morrem, enquanto outras sobrevivem depois de serem expostas a mesma dose de radiação. A principal razão para isto é a saúde dos indivíduos quando expostos e quais são suas capacidade individuais em combater os efeitos incidentais da exposição à radiação, bem como suas sensibilidades à infecções.
Além da morte, há outros efeitos de dose de alta radiação.
- Perda de Cabelo (epilação) é similar aos efeitos na pele e ocorre depois de doses agudas de cerca de 500 Rad.
- Esterilidade pode ser temporária ou permanente em homens, dependendo da dose. Em mulheres, é geralmente permanente, mas para isto requer-se doses altíssimas, da ordem de 400 Rad nas células reprodutivas.
- Cataratas (turvamento da lente do olho) surgem para um limiar de dose de 200 Rad. Os nêutrons são especialmente relacionados com as cataratas, devido ao fato do olho conter água e esta ser absorvedora de nêutrons.
- Síndrome Aguda de Radiação Se vários tecidos importantes e órgãos são danificados, pode-se produzir uma reação aguda. Os sinais iniciais e sintomas de SAR são náusea, vômito, fadiga e perda de apetite. Abaixo de 150 Rad, estes sintomas que são diferentes daqueles produzidos por uma infecção viral podem ser a única indicação externa de exposição à radiação. Acima de 150 Rad, uma das três síndromes de radiação se manifestam dependendo do nível da dose.
| Síndrome | Órgãos Afetados | Sensibilidade |
| Hematopoiética | Órgãos formadores do sangue | Altamente sensível |
| Gastrointestinal | Sistema Gastrointestinal | Muito sensível |
| Sistema Nervoso Central | Cérebro e Músculos | Menos sensível |
Resposta Biológica à Doses de Radiação
| <> | Nenhum efeito imediato é observado |
| 5--50 Rad | Ligeira variação na contagem do sangue |
| 50--150 Rad | Ligeira variação na contagem do sangue e sintomas de náusea, vômito, fadiga, etc. |
| 150--1.100 Rad | Severas mudanças no sangue serão notadas e os sintomas aparecem imediatamente. Aproximadamente 2 semanas depois, algumas pessoas expostas morrem. Aqueles expostos a 300-500 Rad, até a metade morrerão dentro de 30 dias sem tratamento médico intensivo. A morte ocorre devido a destruição dos órgãos formadores do sangue. Sem glóbulos brancos, as infecções aparecem. Na margem inferior desta faixa de dose, o isolamento, antibióticos e transfusões podem ajudar a medula a gerar novas células e o paciente poderá se recuperar totalmente. Na margem superior desta faixa, é necessário um transplante de medula. |
| 1.000--2.000 Rad | A probabilidade de morte aumenta para 100% dentro de 1 ou 2 semanas. Os sintomas iniciais aparecem imediatamente. Poucos dias depois, há uma piora drástica, devido à destruição do sistema gastrointestinal. Uma vez que o sistema gastrointestinal pára de funcionar, nada pode ser feito e o tratamento médico é apenas um paliativo para a dor. |
| > 2.000 Rad | A morte é uma certeza. Em doses acima de 5.000 Rad, o sistema nervoso central (cérebro e músculos) não consegue mais controlar as funções corporais, como respiração e circulação sanguínea. A morte ocorre dentro de dias ou horas. Nada pode ser feito. |
Como visto, nada pode ser feito se a dose for muito alta e destruir o sistema gastrointestinal e o sistema nervoso central. Por isto, nem sempre um transplante de medula é bem sucedido.
Determinação dos Efeitos Biológicos
Para qualquer agente biologicamente perigoso é muito difícil correlacionar a dose administrada com a resposta ou o dano provocado. A quantidade de dano no caso da radiação pode ser a freqüência de uma dada anormalidade na célula de um animal versus a dose recebida.
Há algumas evidências de que os efeitos genéticos da radiação constituem um fenômeno linear e uma das suposições fundamentais no estabelecimento de normas de proteção radiológica e no controle da atividade da radiação em programas de saúde pública tem sido levar em conta o efeito linear da radiação.
Portanto, é sempre suposto algum grau de dano quando a população é exposta a pequena quantidade de radiação.
Esta suposição torna a tarefa de estabelecer normas de proteção à radiação muito ingrata.
Levando-se em conta que os seres vivos apresentam certo grau de radiossensiblidade ou radioresistência, normalmente, tem-se trabalhado com uma curva de dose e resposta limiar, isto é, a partir de um determinado valor de dose haverá um efeito associado, e não mais quando a radiação se torna infimamente presente.
Modelo de Risco Linear
É de consenso geral entre especialistas que os riscos da radiação estão relacionados a um modelo linear proporcional e não a um modelo limiar, que a partir de determinado valor comecem a aparecer os efeitos.
Tais estimativas de risco são estritamente aplicáveis a uma população irradiada e não a um indivíduo. Para estimativas individuais, a Probabilidade de Causas (PC) é freqüentemente usada, levando-se em consideração não apenas a dose, mas também fatores adicionais que podem influenciar o desenvolvimento de efeitos específicos em determinado indivíduo.
A exposição à radiação não é garantia de males. Mas, devido a um modelo linear, quanto mais exposição, mais risco e não há dose de radiação tão pequena que não produza um efeito colateral.
Efeitos da Exposição à Baixas Doses de Radiação
Há três categorias gerais para os efeitos resultantes à exposição à baixas doses de radiação.
Efeitos Genéticos --sofrido pelos descendentes da pessoa exposta
Efeitos Somáticos --primariamente sofrido pelo indivíduo exposto. Sendo o câncer o resultado primário, diz-se muitas vezes Efeito Carcinogênico.
Efeitos In-Utero --Alguns erradamente consideram estes como uma conseqüência genética da exposição à radiação, porque o efeito é observado após o nascimento, embora tenha ocorrido na fase embrionária/fetal. No entanto, trata-se de um caso especial de efeito somático, porque o feto é exposto à radiação.
Efeitos Genéticos: mutação da células reprodutivas transmitidas aos descendentes de um indivíduo exposto
Os efeitos genéticos atingem especificamente as células sexuais masculinas e femininas, espermatozóides e óvulos. As mutações são transmitidas aos descendentes dos indivíduos expostos.
A radiação é um agente mutagênico físico. Há também agentes químicos, bem como agentes biológicos (vírus) que causam mutações.
Um fato importante a lembrar é que a radiação aumenta a taxa de mutação espontânea, mas não produz quaisquer novas mutações. Entretanto, uma possível razão para que os efeitos genéticos resultantes de exposição a baixas taxas de dose não tenham sido observados é que as células reprodutivas podem espontaneamente absorver ou eliminar estas mutações nos primeiros estágios da fertilização.Nem todas as mutações são letais ou prejudicam o indivíduo, porém é mais prudente considerar que todas as mutações são ruins, e assim, pela norma NRC (10 CFR Part 20), a exposição à radiação deve ser a mínima absoluta ou As Low As Reasonably Achievable (ALARA). Isto é particularmente importante, pois qualquer que seja a dose sempre haverá um efeito proporcional à ela, sem haver um limiar para início dos efeitos.
Efeitos Somáticos em Indivíduos Expostos
O resultado primário é o câncer.
Os efeitos somáticos (carcinogênicos) são, de uma perspectiva ocupacional de risco, os mais significativos, principalmente para os trabalhadores da área que podem ter conseqüências na sua saúde, a saber, o câncer.
A radiação é um exemplo de agente físico carcinogênico, enquanto o cigarro é um exemplo de agente químico que causa câncer e os vírus, agentes biológicos.
Diferente dos efeitos genéticos da radiação, o câncer radioinduzido é bem documentado. Muitos estudos foram realizados que indicam a relação entre radiação e o câncer. Alguns indivíduos estudados e os cânceres induzidos:
- câncer de pulmão--trabalhadores de minas de urânio
- câncer dos ossos--pintores de mostrador de relógio à base de rádio
- câncer de tiróide--pacientes em terapia
- câncer de seio--pacientes em terapia
- câncer de pele--radiologistas
- leucemia--sobreviventes de explosões de bombas, exposição intra-uterina, radiologistas, pacientes em terapia
Efeitos In-Utero em Embriões/Fetos
Os efeitos podem ser
- morte intrauterina
- retardamento no crescimento
- desenvolvimento de anormalidades
- cânceres na infância
Os efeitos intrauterinos envolvem a produção de mal formações em embriões em desenvolvimento. A radiação é um agente físico teratogênico. Há muitos agentes químicos (como a talidomida) e muitos agentes biológicos (como os vírus que causam sarampo) que também podem produzir mal formações enquanto o bebê ainda está no estágio de desenvolvimento embriônico ou fetal.
Os efeitos da exposição in-utero podem ser considerados como subconjunto de uma categoria geral de efeitos somáticos. As mal formações produzidas não indicam um efeito genético, pois quem está sendo exposto é o embrião e não as células reprodutivas dos pais.
Os efeitos da exposição intruterina dependerão do estágio de desenvolvimento fetal.
| Semanas após a concepção | Efeito |
| 0-1 (pré-implantação) | morte intrauterina |
| 2-7 (organogênese) | retardamento no crescimento/desenvolvimento de anormalidades/câncer |
| 8-40 (estágio fetal) | o mesmo acima com menor risco, associado com possíveis anomalias funcionais |
Risco de Radiação
Há riscos associados com qualquer valor de exposição à radiação. Os riscos aproximados para as três categorias de efeitos de exposição a baixos níveis de radiação são:
| Efeito | Casos de Excesso para 10.000 por Rad |
| Genético | 1 para 2 |
| Somático (câncer) | 2 para 10 |
| In-Utero (câncer) | 2 para 6 |
| In-Utero (todos os efeitos) | 10 para 100 |
Genético
Os riscos de exposição a 1 Rem de radiação aos órgãos reprodutores são de aproximadamente 50 a 1.000 vezes menor que o risco espontâneo para várias anomalias.
Somático
Para cânceres radioinduzidos, o risco estimado é pequeno se comparado a uma incidência normal de 1 a 4 chances de desenvolver qualquer tipo de câncer. No entanto, nem todos os cânceres estão associados à exposição à radiação. O risco de morte devido a um câncer radioinduzido é a metade do risco de adquirir um câncer.
In-Utero
Os riscos espontâneos de anormalidades fetais é de cerca de 5 a 30 vezes maior do que o risco de exposição a 1 Rem de radiação. No entanto, o risco de câncer em crianças devido à exposição in-utero é quase o mesmo que o risco para adultos expostos à radiação.
Devido a sensibilidade intrauterina, a NRC, em 10 CFR Part 20, requer que em mulheres grávidas, a dose de radiação seja mantida abaixo ou igual a 0.5 Rem durante toda a gestação, o que é um décimo da dose anual permitida para trabalhadores ocupacionais. Este limite se aplica para a trabalhadora que declarar por escrito seu estado de gravidez, senão aplica-se os limites convencionais.
Obs.: Unidades de Atividade e Exposição
A atividade de uma amostra com átomos radioativos (ou fonte radioativa) é medida em:
1 Bq (Becquerel) = uma desintegração por segundo
1 Ci (Curie) = 3,7 x 1010 Bq
1 Sievert = 100 rem
1 Gray = 100 rad
Produção de Raios X
O espectro contínuo é simplesmente uma curva de contagens por segundo, versus comprimento de onda do raio X, ou seja Intensidade versus l. Observe que todas as curvas têm em comum o fato de que há um comprimento de onda mínimo, abaixo do qual não se observa qualquer raio X. O curioso é que este valor não depende do material do anodo.
Agora, baseados no modelo de Bohr podemos entender como são gerados os raios característicos, e por quê o espectro obtido com o tungstênio apresenta apenas espectro contínuo.
Quando o elétron proveniente do catodo incide no anodo, ele pode expulsar um elétron orbital. A órbita de onde o elétron será expulso, depende da energia do elétron incidente e dos níveis de energia do átomo do anodo. A lacuna deixada por este elétron será preenchida por um elétron mais externo. Neste processo, a radiação X será emitida, com freqüência dada pela eq.
Fonte e mais informações: http://www.if.ufrgs.br/tex/fis142/fismod/mod05/m_s01.html
Tuesday, April 24, 2007
Suberose

cortiça, associada à exposição repetida a poeiras de cortiça bolorenta, apresentando-se habitualmente
como uma doença do interstício pulmonar (Alveolite Alérgica Extrínseca). Contudo, o envolvimento
das vias aéreas, presente nalguns casos, torna a abordagem diagnóstica complexa.
A composição química da cortiça engloba vários compostos, dos quais apresentamos os seus
valores médios:
• suberina (45%) – o principal componente das paredes da cortiça; responsável pela
resiliência da cortiça
• lenhina (27%) – o componente de ligação
• polissacáridos (12%) – o componente das células da cortiça que permite definir a
textura da cortiça
• taninos (6%) – polifenol responsável pela cor
• ceróides (5%) – hidrófilo que assegura a impenetrabilidade da cortiça
• água mineral, glicerina e outros componentes que fazem 4 por cento.
Suberose
- Categoria: Pneumonite de Hipersensibilidade
- Crónica
- Também conhecida como "Doença do corticeiro"
- Apresentação aguda: semelhante à gripe, com tosse / Subaguda: pneumonia recorrente/ Crónica: dispneia de exercicio, tosse produtiva e perda de peso.
- A exposição é ao pó da cortiça e o antigénio suspeito o fungo. Deve ser tratada como uma pneumonia de hipersensibilidade, aguda ou crónica.
- Período de incubação: semanas até ser sentidos, mas os sintomas agudos surgem 4-12 horas após a exposição
- Diagnóstico: Clínico, Radiografia do tórax, Função Respiratória, TC alta resolução

Saturday, December 09, 2006
Patologia Mamária
Classificação
- Existem diferentes classificações (radiológica e anatomo-patológica)
- Define-se como patologia benigna toda a patologia da mama que não sofre alterações significativas ao longo do ciclo menstrual
- Por clareza, estuda-se as diferentes doenças benignas da mama pela topografia mamária atingida:
a) Lesões alcançando a unidade terminal - canalicular e lobular
b) Lesões atingindo os galactoforos (canais da glândula mamária) principais - mais próximo da auréola e mamilo
Descrição
A - Lesões alcançando a unidade terminal (canalicular e lobular)
Fibroadenoma
- É o tumor mais frequente em mulheres com menos de 25 anos
- Idade média de aparecimento 33 anos
- 3ª patologia mamária mais frequente a seguir ao cancro mamário e à doença fibroquistica (doença benigna da mama mais frequente)
- São tumores indolores, elásticos, móveis, de crescimento lento, sem flutuação ao longo do ciclo menstrual
- É hormonodependente em relação à estrogenémia, embora essa relação não esteja claramente definida
- Em 15% dos doentes são múltiplos e bilaterais
- Histologicamente: resultam da proliferação dos galactoforos terminais, acinos ao nível de diferentes lóbulos e do estroma conjuntivo interlobular
- Eventual citofunção no sentido do diagnóstico diferencial quiasto/tumor sólido
- Na rapariga jovem vigilância aguardando o equilibrio hormonal esteroide
Cistosarcoma Filoide
- Se incorrectamente extirpado a recorrência é frequente
- É uma variante do fibroadenoma com prevalência em mulheres mais velhas (idade média 44 anos)
- 10% são malignos com metastização precoce
- Histologicamente: caracterizado por uma elevada densidade celular com numerosas mitoses ao nível do estroma mamário
- Tem potencial maligno
- Trata-se de um tumor com dimensões consideráveis, firme e móvel, maior que qualquer outra lesão mamária benigna
- Quando maligno o seu crescimento é rápido
Doença Fibroquística
- Doença benigna da mama mais frequente, atingindo + ou - 30 a 50% das mulheres na perimenopausa
- Vários elementos estruturais (muitas vezes todos eles coexistem)
1) Alterações Quísticas (microquistos/macroquistos)
-São alterações sobre o território lobular
- Os microquistos têm menos de 1mm de diâmetro, não são palpáveis, estão rodeados de um epitélio com uma só camada celular
- São assintomáticos e constituem nas mulheres mais velhas um percurso involutivo fisiológico da mama
- Os macroquistos resultam da fusão de vários canais galactoforos e ácinos, têm mais de 3mm de diâmetro, observam-se em 20-40% das mulheres com microquistos (a bilateralidade é quase uma regra)
- À aspiração obtem-se um líquido seroso, outras vezes hemático
- A aspiração deve ser completa: o nódulo não se deve refazer após aspiração nem reaparecer na avaliação posterior a um mês - são as condições que asseguram um esvaziamento eficaz diagnóstico e terapêutico
- os sintomas mais frequentes são: sensibilidade dolorosa, mastodínia (dor mamária) e nódulos palpáveis
- A mastodinia surge sensivelmente 7 a 14 dias antes do período menstrual e dissipa-se quando este surge (pode ser o único sintoma, traduzindo a hiperestrogenimia em fase luteinica)
- As mulheres queixam-se frequentemente de irregularidades menstruais, dismenorreia e metrorragias
Dismenorreia --> irregularidade da função menstrual especialmente menstruação difícil ou diolorosa
Metrorragias --> hemorragia pelo útero independentemente do ciclo menstrual
- A mastodinia explica-se histologicamente por um infiltrado do estroma mamário de muco e edema com aumento do volume mamário em 15% das mulheres
- Os nódulos palpáveis podem-se encontrar em toda a mama mas são mais evidentes no quadrante supero-externo num seio "granuloso" que aumenta de dimensões numa fase pré-menstrual
2 - Alterações de Hiperplasia Epitelial Ductal (no quadro da doença fibroquística)
- hiperplasia: multiplicação anormal dos elementos dos tecidos
- Estão particularmente associados a factos oncogénicos de natureza desconhecida com potencial para induzir transformação neoplásica
- São alterações particularmente importantes
- A hiperplasia epitelial ductal sem alterações celulares atípicas tem 1 risco de 1.9 de cancro em relação às mulheres sem estas características de hiperplasia epitelial mas com doença fibroquística
- No padrão de hiperplasia epitelial ductal com alterações atipicas o risco carcinogénico eleva-se para 5.3 e, na presença concomitante de história familiar de canco mamário o risco eleva-se para 11 vezes
Existem dois tipos de hiperplasia epitelial:
- Epiteliose ou Papilomatose: proliferação benigna dos pequenos galactoforos e lóbulos
- Adenose: hiperplasia glandular não neoplásica resultado da multiplicação de á cinos e galactoforos intralobulares com arquitectura lobular preservada
- Adenoma esclerosante: desenvolve-se em idades mais tardias e corresponde à existência de nódulos pelo desenvolvimento de fibrose simultaneamente
- Adenose simples: geralmente é assintomática, ocorre fisiologicamente durante a gravidez
3 - Alteração de fibrose
- Como entidade única ocorre pouco frequentemente mas com maior frequência durante a idade fértil
- São empastamentos com 1-3 cm por vezes 3-5 cm, palpáveis, não móveis, firmes e irregulares. são a resposta lobular à provavel inflamação ductal ou involução fisiológica (trata-se de tecido conjuntivo itnerlobular)
Outras Lesões Benignas da Mama
Adenoma do Mamilo
- Erosão do mamilo com corrimento mamilar hemático
- Faz diagnostico diferencial com a Doença de Paget
- Recomenda-se a exerese cirúrgica
Esteatinecrose Traumática da mama (raridade)
- Simula o cancro, com maior frequência na mulher com perimenopausa com mamas volumosas. Asssociado a traumatismo em 50% dos casos. Tumor firme, fixo, superficial com retração da pele
- Equimose em 20-30% dos casos
-Requer exerese cirurgica
Doença de Mondor (doença benigna mais rara)
- Tromboflebite das veias superficiais da mama por obstrução da veia toraco-epigástrica
- Associada a possível trauma
- Dor aguda que subsiste por 3-4 semanas
Mastite aguda
- Pode estar associada à lactação ou ocorrer na sua ausência
- Geralmente associada à lactação
- Mama com região dolorosa, eritematosa, edemaciada
- Porta de entrada: erosão do mamilo, entrada de estafiloe aureus com desenvolvimento de abcesso ou de estreptococos com desenvolvimento de celulite mamaria. Sem tratamento desenvolve-se a infecção com formação de múltiplos abcessos e fibrose mamária
- Tratamento: antibioterapia adequada (penicilina beta-lactose resistente) durante 10 dias cm evential incisão e drenagem dos abcessos
- Na ausência de lactação a mastite associa-se geralmente a ectasia dos galactoporos com infecção recorrente subareolar ou associa-se a carcinoma
Tecido mamário supranumerário
- Tecido mamário, aréola, mamilo ou combinação
- Ao longo da crista mamária embrionária que se estende da axila à região inguinal
- É relativamente frequente, afectando mais ou menos 1-2% da população, sobretudo asiáticos
- Neste tecido mamário ocorrem as mesmas alterações do tecido (fisiológicas e patológicas)
Patologia Maligna da Mama
Carcinoma da Mama (mulher)
- É um adenocarcinoma cuja característica histológica mais interessante é a quantidade variável de tecido fibroso que envolve as células neoplásicas
Sinais cardinais de adenocarcinoma:
- Tumoração irregular de consistência pétrea
- Aderência ou fixação da mama
- Gânglios axilares palpáveis
História
1- idade: pode ocorrer em qualquer idade após a menarca sendo pouco frequente antes dos 30 anos; incidência aumentada após os 35 anos e atinge o máximo aos 65 anos
2 - Sintomas: podem estar relacionados com a lesão primária ou com os efeitos das metástases. Geralmente a paciente apercebe-se de uma tumoração indolor ao se levantar ou olhar ao espelho. A forma e o tamanho da mama podem estar distorcidos pelo crescimento da tumoração e/ou sua fixação directa ou indirecta à pele. O mamilo pode-se encontrar desviado, distrocido, retraído ou destruído. A lombalgia com dores radiculares que irradiam para a região posterior das pernas é um sintoma comum e deve-se à infiltração e colapso das vértebras lombares. Pode existir ainda mal estar e emagrecimento; dispneia; dor pleurítica e derrames pleurais por metástases pulmonares ou pleurais extensas; nódulos cutâneos multiplos e duros; alterações mentais e convulsões por metástases cerebrais; dor por fracturas patológicas.
3 - História familiar: maior risco na mulher com menarca precoce e menopausa tardia; mais frequente nas nuliparas (nunca tiveram filhos) que em multiparas; obesidade associada a riscos aumentados pela síntese dos estrogénios nos depósitos adiposos; maior risco com história familiar (mãe, irmã, tia materna)
Exame Local
1 - sede: grande parte dos adenocarcinomas situam-se no quadrante superior-externo (50%)
2: número: um (uma massa)
3- dor: em geral não são dolorosas à palpação embora esta possa provocar um leve desconforto
4 - Superfície: irregular
5 - Consitstência: pétrea
6 - Relação com as estruturas vizinhas: o carcinoma da mama pode estar aderente ou fixado à pele subjacente ou às estruturas profundas; a fixação de uma tumoração à pele é quase sempre diagnóstica de carcinoma. Quando o tumor se propaga ao longo dos septos fibrosos da mama, o bloqueio dos linfáticos que passam no seu interior provoca edema, o que aprofunda os orifícios das glândulas sudoríparas e dos folículos pilosos dando à pele o aspecto em casca de laranja
7 - Drenagem linfática: os gânglios axilares esupraclaviculares apresentam-se frequentemente aumentados. Também os torácicos internos ou mamários internos (inacessíveis à palpação) se encontram provavelmente aumentados. Os gânglios que contêm metástases apresentam-se medianamente endurecidos e isolados. Ocompromisso externo dos gânglios axilares pode ser: linfedema do braço, trombose venosa, edema venoso.
8- Nervos: se os nervos da axila são infiltrados pelo tumor podem existir alterações motoras ou sensitivas; os nervos mediano e cubital são mais frequentemente comprometidos que o radial
9- Outra mama: pode conter uma tumoração que pode ser um depósito secundário ou outra lesão priméria. Neste caso os gânglios axilares e supraclaviculares também podem estar aumentados
Importante: as células tumorais podem atingir as vértebras ou os ossos do crânio sem entrarem na circulação sistémica através do plexo venoso vertebral de Bason - é constituído por veias avalvuladas ao longo da coluna vertebral em conexão com outros sistemas venosos desde a pelvia ao cérebro.
Carcinoma Infiltrativo da Mama
- Forma rara de cancro da mama
- Entidade clínica patológica individualizada e de mau prognóstico
-Mama: maior volume, dolorosa, tensa, quente e eritematosa. Edema cutâneo ou casca de laranja
- Tumor: mal delimitado à palpação, pouco ou nada diferenciado, grande potencial metastático, negativo para receptores de estrogénio e progesterona
- Diagnóstico: Por biopsia cutânea na zona do eritema. positivo para células neoplásicas nos linfáticos.
- Tratamento: Inicial com poliquimioterapia, locoregional com radioterapia e possivel tratamento cirurgico.
Recordar sempre a importância e metodologia do auto-exame da mama:

Saturday, October 14, 2006
Reacções aos contrastes iodados endovenosos e actuação
Leve: Hidroxizina 25 mg p.o. ou Lorazepan 1 a 2,5 mg SL
Moderada: Lorazepan 1 a 2,5 mg SL
Nota: Importante tranquilizar o doente
URTICÁRIA
Moderada: Aplicar bloqueadores dos receptores H1 - Hidroxizina 100 mg i.m.
Grave: Administrar Adrenalina (1:1000 i.m., 0,1 ml); aplicar bloqueadores dos receptores H1 e H2 - clemastina 2 ml i.v. + cimetidina 5 mg/Kg
Nota: aplicar a clemastina e a cimetidina separadamente
ANGOR
Moderada: Oxigénio (10 L/min)
Fluídos e.v. Soro fisiológico lento
Nitroglicerina 0,5 mg sublingual (pode repetir-se 5-15 min após)
HIPOTENSÃO
Taquicárdia ou FC Normal
-Oxigénio (10 L/min)
-Fluídos i.v. Soro Fisiológico (injectado rapidamente) + lactacto de Ringer
-Se não responder: vasopressores - dopamina (i.v., 2-5 ug/Kg/min) e adrenalina (0,3 cc diluido a 1:10,000 e.v.)
- Diluir a dipamina 200 mg em 50 cc SF e injectar por seringa infusora
Nota: elevar as pernas do doente
Reacção Anafilóide
Grave - Choque
- Hipotensão, dispneia aguda, reacção cutânea (urticária ou angioedema)
- Oxigénio (19L/min) - máscara de O2 alto débito ou sonda nasal
- Fluido i.v.: Soro Fisiológico
- Adrenalina (levorrenina): intramuscular (diluida 1:1000, 0,5 ml) injectar 1/2 ampola i.m. ou intravenoso (1:10000 - diluir 1 ampola em 10 cc SF e injectar 1 ml lentamente - 2 a 5 min)
- Anti-histaminicos: bloqueadores H1 (clemastina 2ml e.v.), bloqueadores H2 (cimetidina 300 mg diluido em 10 cc SF e.v.) injectado lentamente
- Se houver broncoespasmo usar máscara de O2 com nebulizador com salbutamol 0,5 mg (1 fórmula e, 2 ml SF)
- Corticoesteróides: hidrocortisona 100-200 mg e.v. ou metilprednisolona 250 mg a 500 mg e.v.
EDEMA LARINGEO
Grave (dispneia + estridor): Oxigénio (10L/min) em máscara O2 de alto débito ou sonda nasal
- Adrenalina 1:10000 e.v. (diluir 1 ampola em 100 cc SF e injectar 1 ml lentamente - 2 a 5 min)
- Hidrocortisona 100 mg e.v.
- repetir apór 10 min se necessário
BRONCOSPASMO
Grave (dispneia + sibilos): Oxigénio (10L/min)
- Usar máscara de O2 com nebulizador e aplicar um Beta 2 Agonista - Salbutamol (5mg- 1 fórmula em 2 ml SF por nebulizador)
- Adrenalina (levorrenina) IM (0,5 ml diluida 1:100 - 1/2 ampola) ou EV (1:10000 - diluir 1 ampola em 10 cc SF e injectar 1ml lentamente)
- Hidrocortisona (100 a 200 mg e.v.)
- Aminofilina (240 mg/10 ml) - 1 ampola e.v. injectado com setinga infusora
REACÇÃO VASOVAGAL
Hipotensão e Bradicárdia
- Fluidos i.v. - soro fisiológico injectado rapidamente com lactato de Ringer
- Oxigénio (10L/min)
- Atropina 1mg e.v. (pode ser repetido em intercalos 3-5 min até máx 3 mg)
- Efedrina (50 mg em 5 cc SF)
- Elevar as pernas do doente
CONVULSÕES
- Grave: Proteger o doente, aspirar a via aérea se necessário e proteger a língua com tudo orofaríngeo. Administrar oxigénio (10L/min) e Diazepam (10mg e.v.)
EDEMA AGUDO DO PULMÃO
Grave (dispneia + ortopneia + tosse + fervores + cianose): Sentar o doente com as pernas pendentes
- Oxigénio (19L/min)
- Furosemida 40 mg (2 fórmulas) a 100mg e.v.
- Dopamina (e.v. 2-5 ug/Kg(min) + aminofilina 240-480 mg e.v. injectados por seringa infusora
PARAGEM CARDIO-RESPIRATÓRIA
Grave: Manter suporte básico de vida
A - Abertura das vias aéreas
B - Ventilação
C - Compressões torácicas
Fibrilhação ventricular: desfibrilhar 200 J, 200 J, 360 J
- Adrenalina 1mg e.v.
- Desfibrilhar 360 J
- Monitorizar o doente
Assistolia: 15 compressões torácicas c/ 2 ventilações ou 5 compressções c/1 ventilação
- Entubar o doente
- Administrar Adrenalina pelo tubo endotraqueal (1 mg e.v.) + Atropina (3 mg e.v.)
NOTA IMPORTANTE
- A aplicação dos fármacos e tratamentos aplicados devem ser feitos por um Médico com formação adequada ou na presença e com a indicação deste
Friday, October 13, 2006
Código Deontológico
O Técnico de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear, deve:
i) Conceber, planear, organizar, aplicar, e avaliar o processo de trabalho com o
objectivo da promoção da saúde, do diagnóstico e do tratamento, agindo sempre com o
máximo de zelo em benefício do doente.
ii) Explicitar o exame ao doente, disponibilizando-se para clarificar qualquer
procedimento, do melhor modo possível;
iii) Posicionar o doente e o equipamento correctamente, monitorizando-o durante os
exames e/ou tratamentos, confortando-o emocionalmente sempre que necessário e
garantindo toda a sua privacidade;
iv) Utilizar o equipamento, aplicando todo o seu conhecimento científico, assegurando
que o doente, ou qualquer outra pessoa, estejam protegidos contra a radiação e acção
dos campos magnéticos.
2. Relação com o Doente
i) O Técnico deve respeitar o doente, no quadro jurídico e deontológico,
estabelecendo a salvaguarda dos valores fundamentais que colocam o Ser Humano
acima de qualquer outra consideração.
ii) O Técnico deve criar as condições de prestação de cuidados de saúde adaptadas
às características físicas, psicológicas e sociais do doente, expurgando qualquer tipo
de discriminação.
3. Relação com a Equipa de Saúde
i) O Técnico deve, na equipa transdisciplinar da saúde, responsabilizar-se pelo seu
procedimento, ancorando-se na Ética para conduzir a sua acção.
ii) O Técnico deve conhecer as suas competências e assumir os seus limites, numa
perspectiva de colaboração, no seio da equipa de saúde.
4. Equipamentos
i) O Técnico deve optimizar os diversos equipamentos e acessórios com vista ao
estabelecimento do diagnóstico, da terapêutica e da investigação.
ii) O Técnico deve desempenhar a sua profissão responsabilizando-se pela qualidade
da radiação, demonstrando mestria na minimização da exposição, tanto para o doente
como para todo o pessoal envolvido no acto radiológico.
5. Protocolos
i) O Técnico deve realizar os diversos protocolos dos exames, assim como os planos
de tratamento.
ii) O Técnico deve posicionar o doente, considerando o seu estado físico e
psicológico, em conformidade com o equipamento utilizado.
6. Produtos Farmacêuticos
i) O Técnico deve preparar, de modo apropriado, os produtos farmacêuticos (meios
de contraste, compostos radioactivos, etc.) de modo a proceder à sua utilização, ou
pelo menos, supervisionar todo o processo.
ii) O Técnico deve proceder à administração oral, rectal, intra-muscular, endovenosa
e subcutânea das substâncias farmacêuticas necessárias para a obtenção de uma
imagem médica de boa qualidade.
7. Radioprotecção e Segurança
i) O Técnico deve evitar toda a desnecessária exposição à radiação em todas as
situações profissionais e respeitar a disposição ALARA (mínimo de radiação para a
obtenção de uma imagem diagnóstica – trad. e adapt.).
ii) O Técnico deve aplicar as regras de assepsia e higiene hospitalar em todos os
sectores de desempenho profissional.
iii) O Técnico deve vigiar o bem-estar do doente, inclusive a continuidade dos
cuidados post-exame e/ou tratamentos.
iv) O Técnico deve aplicar as regras aceites e os princípios básicos da radioprotecção
em conformidade com a legislação em vigor.
8. Diagnóstico
i) O Técnico deve escolher os parâmetros de exposição tomando em conta a clínica,
a patologia e a semiologia radiológica, e avaliar as imagens em função dos princípios
de formação de imagem.
ii) O Técnico deve participar na anamnése dos doentes através de toda a informação
útil para a realização do exame.
iii) O Técnico deve alertar sobre os efeitos secundários ligados à Radiologia,
Radioterapia e Medicina Nuclear, sem esquecer que a transmissão dos resultados
radiológicos cabe ao Médico assistente do doente.
iv) O Técnico deve informar o Médico assistente do doente acerca dos achados
radiológicos encontrados na sequência da sua actuação profissional.
9. Planificação
i) O Técnico deve agir de modo autónomo, tomando o doente à sua
responsabilidade, organizando o trabalho e o seguimento dos exames ou tratamentos.
ii) O Técnico deve assegurar a manutenção de programas de qualidade com fins de
melhoria diagnóstica, terapêutica, económica e de protecção.
10. Desenvolvimento Profissional
i) O Técnico deve ter uma sólida formação inicial com estudos de nível superior e
adoptar um modelo de formação contínua que fomente o desenvolvimento pessoal e
profissional, e interdite a veleidade da improvisação.
ii) O Técnico deve colaborar com os organismos institucionais para a promoção
profissional, adoptando uma postura de solidariedade para com os colegas, seguindo
os procedimentos deontológicos socialmente aceites.
Fonte e mais informações: http://www.atarp.pt/
NR: Pela minha experiência pessoal posso afirmar, com tristeza, que o facto de termos de obedecer às superioridades hierarquicas e às próprias limitações de recursos com os quais trabalhamos metade dos nossos deveres estão parcialmente ou totalmente obstruidos de alcançar, no entanto, a responsabilidade pelo seu não cumprimento continua a ser individualizada e não atribuída a quem tem poder para alterar as condições....
Friday, October 06, 2006
História da Radiologia - A descoberta dos Raios-X
Concluiu que um tipo de radiação estava a ser emitida pelo tubo, sendo capaz de atravessar a protecção de papel pesado e excitando os materiais fosforescentes na sala. Descobriu que
A descoberta de Roentgen foi uma bomba para a Ciência, tendo sido recebida com extraordinário interesse. A experiência era duplicada em todo o lado já que o tubo catódico era já bastante conhecido neste período. Muitos cientistas deixaram de lado outras experiências para procurar novos tipos de radiação misteriosa. Jornais e revistas publicavam numerosas histórias (nem todas verídicas) sobre as propriedades dos novos raios-X.
O público adorou as demonstrações da capacidade de atravessar matéria sólida, e, com a utilização de uma placa fotográfica, a capacidade de obter imagens de ossos e partes interiores do corpo. A ciencia ficou também fascinada com a demonstração de um comprimento de onda desta radiação mais pequeno que o da luz, uma vez que gerou novas possibilidades na física e para a investigação da estrutura da matéria. Muito entusiasmo foi criado pelas potenciais aplicações dos raios-X e como grande auxílio na medicina e cirurgia. Dentro de um mês após a publicação da descoberta, vários consultórios médicos radiológicos foram criados pela Europa e Estados Unidos, sendo usados pelos cirurgioes para os guiarem no seu trabalho. Em Junho de 1896, apenas 6 meses após a publicação da descoberta de Roentgen, os raios-X passaram a ser usados pelos médicos para pesquisa de balas nos soldados feridos, sendo um grande avanço para a sua terapia.
Antes de 1912, os raios-X eram usados essencialmente no ramo da medicina e medicina dentária, para além de imagens de metais. Não eram ainda utilizados industrialmente devido à fragilidade dos tubos das ampolas que se partiam sob as voltagens necessárias para produzir radiação com penetração suficiente para a aplicação indistrial. Contudo, isso mudou em 1913 quando os tubos de alto vácuo produzidos por Coolidge se tornaram disponíveis. Estes tubos permitiam fontes fiáveis e intensas de raios-X operando a energias até 100.000 volt (100 kV).
Em 1922, a indústria radiográfica avançou mais um passo com a produção de tubos com capacidade para 200.000 volt (200 kV), que permitia radiografias de partes metálicas e em muito menos tempo.
Uma segunda fonte de Radiação
A cientista polaca Marie Curie e o seu esposo, cientista francês Pierre Currie, investigaram a radioactividade de elementos como o urânio, chegando à descoberta de um elemento que denominaram de "radium", sendo este mais radioactivo que o urânio. Este elemento iniciou a indústria da radiação "gama", tendo uma capacidade de atravessar matéria muito superior à radiação-X. Em 1946, produziam-se fontes de radiação gama como o Cobalto e o Iridio, fontes essas muito mais fortes e menos dispendiosas que o radium (rádio).
Friday, September 01, 2006
Caso do Dia - LUPUS
O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica de causa desconhecida, onde acontecem alterações fundamentais no sistema imunológico da pessoa, atingindo predominantemente mulheres. O sistema imunológico é uma rede complexa de órgãos, tecidos, células e substâncias encontradas na circulação sanguínea, que agem em conjunto para nos proteger de agentes estranhos. Uma pessoa que tem LES, desenvolve anticorpos que reagem contra as suas células normais, podendo consequentemente afetar a pele, as articulações, rins e outros órgãos. Ou seja, a pessoa se torna "alérgica" a ela mesma, o que caracteriza o LES como uma doença auto-imune.
Mas não é uma doença contagiosa, infecciosa ou maligna. A maioria dos casos de LES ocorre esporadicamente, indicando que fatores genéticos e ambientais tem um papel importante na doença.O Lupus varia enormemente de um paciente para outro, de casos simples que exigem intervenções médicas mínimas, à casos significativos com danos à órgãos vitais como pulmão, coração, rim e cérebro.
A doença é caracterizada por períodos de atividade intercaladas por períodos de remissão que podem durar semanas, meses ou anos. Alguns pacientes nunca desenvolvem complicações severas.
Histórico
Em 1851, o médico francês Pierre Lazenave observou pessoas que apresentavam "feridinhas" na pele, como pequenas mordidas de lobo. E em 1895, o médico canadense Sir William Osler caracterizou melhor o envolvimento das várias partes do corpo e adicionou a palavra "sistêmico" à descrição da doença.Lupus=lobo eritematoso=vermelhidão sistêmico=todo
Definição
O "American College of Rheumatology", uma associação americana que reune profissionais reumatologistas, estabeleceu em 1971 e revisou em 1982, 11 critérios que definem o quadro de Lupus. Estes critérios foram modificados em 1997. Uma pessoa pode ter LES se 4 critérios estiverem presentes:
Critérios de pele:
1 - mancha "asa borboleta" (vermelhidão característica no nariz e face)
2 - lesões na pele (usualmente em áreas expostas ao sol)
3 - sensibilidade ao sol e luz (lesões após a exposição de raios ultravioletas A e B)
4 - úlceras orais (recorrentes na boca e nariz)Critérios sistêmicos:
5 - artrite (inflamação de duas ou mais juntas periféricas, com dor, inchaço ou fluído)
6 - serosite (inflamação do revestimento do pulmão - pleura, e coração - pericárdio)
7 - alterações renais (presença de proteínas e sedimentos na urina)
8 - alterações neurológicas (anormalidades sem explicações - psicose ou depressão)
Critérios laboratoriais:
9 - anormalidades hematológicas (baixa contagem de células brancas - leucopenia, ou plaquetas - trombocitopenia, ou anemia causada por anticorpos contra células vermelhas - anemia hemolítica)
10 - anormalidades imunológicas - (células LE, ou anticorpos anti-DNA, ou anticorpos SM positivos, ou teste falso-positivo para sífilis)11 - fator antinúcleo positivo (FAN)
Causas
Imunidade
O sistema imune é regulado por uma combinação de células brancas do sangue e por algumas substâncias solúveis produzidas por elas. Existem basicamente 3 tipos destas células envolvidas no controle da resposta imune: linfócito B (produtores de anticorpos), linfócito T e o macrófago (reguladores da produção). Os linfócitos T, que estimulam a produção de anticorpos são chamados T auxiliadores, e os que reprimem a produção são chamados de T supressores.Normalmente, o sistema imune tolera seu próprio organismo, não produzindo excessivamente anticorpos contra seu corpo. O que diferencia o paciente de LES é a enorme quantidade de auto-anticorpos dirigida contra seus constituintes próprios. Alguns estudos mostram que nos pacientes de Lupus, ocorre uma diminuição da atuação do linfócito T supressor, ou mesmo uma intensa estimulação de produção de linfócito T auxiliadores.
Genética
Alguns cientistas acreditam em uma predisposição genética à doença, mas ainda não se conhece os genes causadores. Apenas 10% dos pacientes de LES tem parentes próximos que desenvolveram a doença. E as estatísticas mostram que apenas 5% de crianças de pais que tem Lupus desenvolvem a doença.
Hormonas
90% dos pacientes de Lupus são mulheres, entre 15 e 40 anos de idade. Por isso, o Lupus parece ter alguma associação com o estrógeno, um hormônio produzido pelas mulheres em seus anos reprodutivos.Experiências com camundongos revelaram que o estrógeno tem um efeito acelerador da doença. Fêmeas que tiveram seus ovários retirados antes da puberdade, e que receberam altas doses de hormônio masculino, tiveram a doença menos intensa. E aqueles que receberam altas doses de estrógeno, tiveram a doença exacerbada. Os estrógenos provavelmente aumentam a produção de anticorpo anti-DNA, dentre outras consequências.
Stress
O stress é comprovadamente um disparador do LES. Os cientistas pesquisam a possibilidade da adrenalina ou cortisona influenciarem o desenvolvimento da doença.
Luz Ultravioleta
Cerca de 30 a 40% dos pacientes de Lupus apresentam sensibilidade ao componente ultravioleta vindo da luz solar ou artificial, em função de:- alteração no DNA estimulando a produção anormal de anticorpos contra ele;- células da pele (queratinócitos) quando expostas à luz ultravioleta estimulam os linfócitos a produzirem anticorpos;- a luz UV dificulta a retirada dos imunocomplexos da circulação, que podem se depositar em alguns tecidos provocando inflamação.
Vírus
É possível que linfócitos B sejam infectados por vírus e provoquem a produção de anticorpos em pacientes susceptíveis.
Substâncias Químicas
Alguns remédios como procainamida (para distúrbios do coração), hidrazida (para tuberculose), difenilhidantoína (para epilepsia), hidralazina (para pressão alta), podem produzir um conjunto de sintomas semelhante ao LES em pacientes predispostos. Descobriu-se que os pacientes demoram mais para metabolizar essas drogas, bastando a suspensão do uso para a regressão dos sintomas.
Diagnóstico
1 - você teve dor ou inflamação das juntas por mais de 3 meses?
2 - você teve feridinhas em sua boca ou nariz por mais de 2 semanas?
3 - os seus dedos mudam de cor, ficando pálidos ou roxos, quando o tempo está frio ou quando estão em contato com água fria?
4 - alguma lesão de pele, vermelha, surgiu no seu rosto, sobre o nariz e bochechas, por mais de um mês?
5 - durante algum exame de sangue alguém lhe disse que a contagem de células vermelhas, brancas ou plaquetas estava baixa?
6 - sua pele fica muito vermelha e irritada, principalmente no rosto, depois que você toma sol? É pior em comparação com outras pessoas?
7 - você sentiu dificuldade ou dor para respirar durante alguns dias?
8 - você tem perdido muito cabelo ultimamente? Mais do que o normal?
9 - você já teve alguma convulsão?
10 - alguma vez você fez exame de urina onde foi constatada muita proteína?
Se 3 ou mais destas perguntas forem respondidas com um "sim" é recomendável um exame de sangue para testar a possibilidade de LES.
Exames Laboratoriais
Hemograma - é o exame onde são contadas as células vermelhas (hemácias ou eritrócitos) e brancas (leucócitos) do sangue, assim como as plaquetas, responsáveis pela sua coagulação. 40% dos pacientes de Lupus apresentam anemia (queda de células vermelhas), 15 a 20% apresentam leucopenia (queda de células brancas), e ainda 25 a 35% apresentam trombocitopenia (queda de plaquetas).
Teste de Coombs - exame sanguíneo que comprova que a anemia é resultante da produção de anticorpos contra as hemácias - anemia hemolítica.
Urina - os pacientes de Lupus podem apresentar aumento de células vermelhas (hematúria), aumento de estruturas cilíndricas (cilindrúria) e aumento de proteína (proteinúria) na urina.
FAN (fator anti-núcleo) - procura-se um anticorpo dirigido contra uma substância do núcleo da célula. No núcleo localizam-se algumas proteínas e também o DNA.Qualquer anticorpo contra o DNA ou contra as proteínas do núcleo determina um FAN positivo, o que ocorre em 95 a 100% dos casos.
Células LE - os neutrófilos são capazes de "engolir" núcleos de outras células atacadas pelo anticorpo anti-núcleo, formando as células LE positivas. Cerca de 80% dos pacientes de Lupus apresentam este teste positivo.
Anticorpo anti-DNA - existem dois tipos de DNA, nativo (dupla hélice) e mono-hélice, sendo que 60 a 80% dos pacientes com LES produzem anticorpos contra ambos. A presença do anticorpo anti-DNA sugere a possibilidade de nefrite - inflamação dos rins.
Anticorpo anti-SM - anticorpo dirigido contra uma proteína do núcleo no sangue, mas apenas 30% dos pacientes produzem esse anticorpo.
Dosagem de complemento - quando o anticorpo se liga ao antígeno forma-se uma estrutura chamada imunocomplexo. Quando este se deposita, atrai uma substância chamada complemento, responsável pela inflamação. A dosagem de complemento total (CH50) e das frações C3 e C4 são medidas, avaliando-se envolvimento renal e atividade da doença.
Fonte e mais imformações:
http://www.lupusonline.com.br/Curiosidades.asp
Doentes da Semana
O Toxicodependente
- Deitado na mesa de T.C. prontinho para uma aquisição de Abdómen com contraste e.v.. Entra a minha colega na sala, calça umas luvas e prepara-se para injectar. Após colocar o garrote, observa o braço do doente procurando o local mais adequado, pelo que este lhe diz, ou melhor grita, "Só tenho uma veia nos braços mas NINGUÉM TOCA NESSA, ESSA É MINHA, eu preciso dela!!!" - solução... não se injecta o doente
O Presidiário
Desde o estágio em S.José que me habituei a ter que lidar com presidiários na nossa profissão. Na altura muitos deles iam realizar ortopantomografias devido a traumatismos por lutas dentro da prisão ou alguns apenas Rx Tórax de rotina ou diagnóstico. Estes doentes vêm geralmente acompanhados de 1 ou 2 guardas prisionais para evitar tentativas de fuga. Esta semana veio cá ao Hospital um presidiário que, para além das algemas nos pulsos trazia as pernas algemadas (mesmo à filme) e, ainda por cima, tive que estar bem próximo dele durante algum tempo para lhe retirar os 2 ou 3 fios que trazia ao pescoço, levando com aquele bafo de dentes mal tratados e aquele olhar psicopata (que nem todos têm, devo referir)...
PS: E tentem lá fazer 1 Rx Torax a alguém algemado....
A Peruca
Uma das doentes mais bonitinhas do dia era a "Mariana". Loira, olhos azuis, bem maquilhada e muito arranjadinha, com os seus 30 e poucos anos. Rx Coluna Cervical e Dorsal. Assim que fiz a radioscopia para confirmar a centragem da Cervical observo objectos radiopacos na zona da nuca. Procurei beincos, ganchos, elásticos, etc... estava limpa... até que lhe perguntei se tinha alguma coisa no cabelo... E ela sacou da peruca para eu procurar... (cabelo, qual cabelo...?)